sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sexo, sexo, sexo, sexo, sexo, sexo!

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Quase sempre discussões sobre homossexualidade tornam-se fatalmente discussões sobre sexo. Talvez devêssemos começar a discutir a homoafetividade.

Hoje, entretanto, lendo o post do Leandro Machado sobre sexo-serviço, uma frase me chamou muito a atenção, e senti necessidade de escrever sobre isso.

"Ao lado de um dos meus trabalhos possui um sex-shop aonde seu 2º andar e exclusivo para darkroom e cabines na qual você poe uma ficha e assiste alguns minutos de um filmes eróticos , bem era essa a finalidade , ... Hoje você faz seu filme pornô dentro da cabine e o que é mais curioso o outro ator você seleciona ali na hora dentre os clientes do estabelecimento. Então um dia desses fomos após o expediente para um bar o lado deste, curiosamente em 20 minutos saíram 16 pessoas, e entraram 14. Negócio da lucro. Sabemos que 99,9 % são gays, é fato."

Eu não conheço a sex shop em questão, mas não tenho dúvidas de que 99,9% dos clientes são gays. Porque salvo o exagero, é assim em todas as sex shops que conheço, e o n amostral é grande o suficiente para que eu possa extrapolar com segurança para as demais e generalizar dizendo: A maioria dos clientes de sex shops é homossexual.

Por que?
Para mim, os homossexuais são a parcela da população que pensa a sua sexualidade. Na minha humilde e particular concepção, se todas as pessoas do mundo parassem e refletissem sobre sexo e sexualidade, haveria muito mais homossexuais, haveria muito mais diversidade. Para mim o homossexual é aquele que transpôs a barreira da moral imposta, do padrão imposto, e assumiu sua expressão sobre sua sexualidade pensada e sentida.
Lembro-me de quando eu e minha ex resolvemos nos assumir pra tia dela. Uma cinquentona estudada, totalmente open minded, muito gente boa. Ela aceitou numa boa, e a primeira pergunta foi: Como funciona o sexo de você?? Ao que respondemos, já tivemos também que explicar o que é clitóris. Por outro lado, a dona da pensão onde morei um tempo, que é homossexual, aos 55 terminou com a namorada porque o sexo não encaixou muito bem. Quem pensa a sexualidade?
Não apenas por esse, mas por muitos e muitos outros casos, pela minha frequente observação, e pela minha experiência, acredito profundamente que homossexuais pensem mais a sexualidade que os heterossexuais em geral. Talvez por isso sejamos mais ligados a sexo que a maior parte da população heterossexual.
Nós homossexuais fazemos sexo demais? Quando fazemos sexo demais, somos promíscuos? Em que baseia-se o conceito de promiscuidade? Não seria mais uma imposição moral da sociedade?

Quem me lê lá no Egos sabe que sou a favor de sexo sem censura e sem tabus e também contra a banalização do sexo. Entretanto, a linha entre o válido e o vulgar é tênue, eu mesma não sei definir. Isso é para mim uma questão de bom senso a cada situação.

Todavia, é sempre necessário se perguntar se sua opinião sobre o que é demais e o que é de menos, o que é válido ou o que é vulgar, em se tratando de sexo, é fruto da sua reflexão e do seu bom senso, ou se é baseada nos padrões sociais.

Porque aqui é assim, há um protocolo, e o que foge dele tem sua conduta questionada.
Para mim, sexo, sexualidade, comportamento, decisões... Tudo deveria ser pensado. Livre-se dos paradigmas e faça porque você acredita, e não porque é assim que se faz.
Eu sou homossexual porque eu parei para pensar nas coisas que eu sentia, e percebi que eu me sentia atraída por mulheres. Eu faço sexo porque é bom, eu gosto, e porque eu não acho que as leis que outros homens fizeram mereçam mais respeito que aquelas que eu mesma fiz.